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"Ponte - Ciclovia Tieté"
São Paulo, Brasil 2009

Client: Proposta para Prefeitura de São Paulo
Work description: Projeto Base
Format: Ponte – ciclovia
Diameter: 6m
Extension: 52m

Project by: Marko Brajovic + Bruno Bezerra


Description (PT):
O rio Tiete de São Paulo sofre principalmente de não ser mais considerado um rio, quando um córrego. Esse status errado, justifica a situação atual de catástrofe ecológica do mesmo e ainda mais os projetos futuros de pouca perspectiva e estratégia urbana.
Uma das prerrogativas para humanizar uma metrópole (que chego no estado lamentável no qual se encontra São Paulo) e de re-valorizar os rio das cidades.
E para devolver os rios, primeiro precisamos valorizar os mesmos, como força motora de qualidade de vida quotidiana e identidade de uma cidade.
O nosso projeto da ponte – ciclovia pretende justamente devolver o uso natural para um rio: poder cruzar de pé e com médio não motorizados. Com isso valorizar a importância natural de um rio, e um uso quotidiano que junta os dois lados, promovi uso da bicicleta e integrar socialmente a cidade.

O convite para realizar uma ponte pedonal e ciclável com um vão superior a 40m, automaticamente questiona conceitos como otimização formal e construtiva, impacto visual e leveza da forma, e a sustentabilidade com uso de recursos naturais renováveis.

Em princípio, decidimos focar as pesquisas em uma estrutura sinergética e integral, que serviria para solucionar o programa e funcionar estruturalmente como um “space frame”, sem necessidade de outra superestrutura.

Através do estudo dos nano tubos, criados por “rolar” uma superfície composta por hexágonos em um tubo, chegamos à forma desejada e o sistema da construção. A cestaria é a pratica mais antiga (desde o neolítico), que acompanha o ser humano em trançar fibras lineares em estruturas altamente resistentes e leves. Isso apresenta uma prática que leva a própria identidade humana/ global em forma localmente adaptada às necessidades funcionais e materiais disponíveis.

A forma tubular nos inspirou a procurar o material mais adequado para cumprir as funções de resistência, elegância e sustentabilidade. O material mais resistente (a tensão), que cumpre com todas as exigências do conceito formal/ estrutural, é o bambu; high-tech por natureza. Para maior controle técnico das suas propriedades mecânicas e das normas de construção, optamos por usar bambu laminado colado (BLC).

As aberturas hexagonais superiores são protegidas por cúpulas de Floropolimero (Cover Tex): altamente resistentes aos raios UV e impermeáveis à chuva. O elemento base tem apoios nas extremidades da ponte. Estes são formados por abraçadeiras duplas que recebem cargas da estrutura tubular e as transfere para o solo. Assim, evitamos esforços de “momento” ou “corte” nos pontos críticos da estrutura.

As rampas são em chapa trançada de aço, apoiadas sobre pilares irregulares que criam um desenho de “bosque”. A simples leitura da ponte demonstra também sua grande sofisticação estrutural, solucionada com três estratégias base: envolver, acompanhar e tecer.

Acreditamos que o projeto apresenta uma visão inovadora à engenharia civil e arquitetura em geral. Usar material natural, processado industrialmente e montado no local, mostra a nossa atitude frente a arquitetura e o contexto cultural.